Comitê Popular dos Atingidos pela Copa 2014

Belo Horizonte | MG | Brasil

Nota do Copac-BH sobre a abertura da Copa em Belo Horizonte.

Nota do Copac-BH sobre a abertura da Copa em Belo Horizonte.

Não adianta só torcer, é preciso lutar e LUTAR NÃO É CRIME!
A violência da polícia militar e mais gol contra do Brasil marcaram a abertura da Copa do Mundo. Mesmo com um enorme efetivo policial nas ruas e muito terrorismo midiático entendemos que só a luta transforma. Em Belo Horizonte, cerca de 3000 pessoas marcharam por direitos e contra a Copa da FIFA e das grandes multinacionais.

Reivindicando as ruas como espaço político que não deve ser usurpado por qualquer estado de exceção, celebramos a nossa copa na rua, com agitação, tambores e futebol de rua (Copelada). Durante todo o ato fomos cercados por policiais militares, munidos com um forte arsenal repressivo, que nos intimidavam de todas as formas possíveis: com revistas, agressões e ameaças. A violência policial se intensificou quando nos aproximamos do relógio da Copa do Mundo. Esse símbolo da opressão diária sentida pela população estava protegido por centenas de militares do choque de armas em punho. Quando chegamos mais perto fomos duramente reprimidos com bombas de efeito moral e balas de borracha a uma curtíssima distância.
Diante da violência institucional e orquestrada do Estado, algumas pessoas quebraram algumas vidraças e viraram uma viatura enquanto gritavam pelo fim da polícia militar. Os policiais se limitaram a proteger o relógio e agredir manifestantes, não garantindo a segurança da manifestação. Essa polícia, que é repressiva e anti-democráticanas ruas, nas periferias mata centenas de pessoas todos os anos e já teve a sua extinção demandada pelas nações unidas.

Ontem a polícia agiu com violência desmedida, encurralando e espancando os manifestantes e levando pessoas que saíam do protesto detidas. Temos notícias até agora de 13 prisões, entre as quais uma companheira mídia-ativista Ninja. Entre os casos mais arbitrários estão a agressão despropositada a uma pessoa em situação de rua e o caso de um estudante (foto abaixo), que estava voltando do protesto para a casa sozinho que foi brutalmente agredido. O rapaz levou um tiro de bala de borracha à queima roupa e caiu no chão, foi quando 5 policias o agrediram com pontapés por todo o corpo e spray de pimenta diretamente nos olhos e depois o deixaram ali caído.

Notamos ainda um grande número de policiais infiltrados no protesto filmando o rosto das pessoas e incitando os manifestantes. O vídeo amador de pessoas virando o carro da polícia e que depois foi disponibilizado pela mídia, foi feito por uma pessoa que estava participando da ação e que se preocupou em registrar os envolvidos.

Repressões semelhantes ocorreram em várias outras capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre,Fortaleza, Brasília e Belo Horizonte. Na abertura dessa Copa que é da FIFA e não do povo, a Polícia Militar mostra ao mundo a sua face violenta.

Os grandes meios de comunicação, a imprensa golpista, buscam a todo custo deslegitimar as nossas manifestações. O terrorismo mediático constrói uma narrativa que justifica e naturaliza a violência policial ao mesmo tempo em que oculta as nossas críticas e desejos de transformação, desta forma, seqüestram as nossas vozes e indignação. O nosso maior problema não é apenas com os gastos públicos em uma Copa privada, da FIFA, mas a forma como a Copa foi conduzida, violando direitos dapopulação há quatro anos e instaurando no país um estado de exceção.

Somos todos contra a violência e para nós essa Copa é violenta, até hoje tem gente sem casa, sem trabalho e presa por lutar. Criminosa é a polícia militar, que só no Estado de São Paulo matou 2.045 pessoas em quatro anos. A PM mata mais do que muitos exércitos e é racialmente seletiva, 70% dos assassinatos no país são de pessoas negras.

Nós queremos a paz, mas não existe paz sem voz, por isso reafirmamos a necessidade de ocuparmos as ruas durante a Copa e convocamos todos e todas para estarem juntos conosco porque para transformar o país não adianta torcer, é preciso lutar!

No dia 14, primeiro jogo da copa em BH, manifestaremos contra a violência policial e a criminalização dos movimentos sociais e do protesto:
https://www.facebook.com/events/335167233303966/?ref=ts&fref=ts

 
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